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Após levar ‘rasteira’ de sigla de Bolsonaro, Livres tenta se reerguer

Citando diferenças insuperáveis com o presidente, cerca de 5.000 pessoas do grupo se desligaram do PSL

ubiie Redação

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FÁBIO ZANINI – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Parecia um conto de fadas liberal. Em fins de 2015, um grupo de ativistas, acadêmicos e políticos foi convidado a entrar em um partido àquela altura praticamente desconhecido e começou a transformá-lo em algo novo. Assumiram diretórios, fortaleceram as instâncias de formulação de programa de governo e pensaram que iam introduzir no cenário político brasileiro uma novidade: uma legenda 1oo% dedicada ao liberalismo, seja na economia, seja nos costumes e valores.

Em poucos meses, o grupo Livres havia conquistado 12 diretórios estaduais do PSL, partido que naquele momento não dizia muita coisa para o eleitorado além de ser mais uma agremiação fisiológica interessada apenas em vender fundo partidário e tempo de TV para a coligação que oferecesse mais.

Eis que então

No final de 2017, um certo Jair Bolsonaro, que estava de malas prontas do PSC para o Patriota (ex-PEN) para disputar a Presidência, começou a mudar de ideia. E os rumores de que iria preferir o PSL começaram a se avolumar. No começo, parecia só boataria. “Chegamos a divulgar nota dizendo que Bolsonaro não viria ao PSL”, diz Paulo Gontijo, 37, que na época presidia o diretório fluminense do partido e hoje é o principal coordenador nacional do Livres.

Mas era verdade, e o resto é história. Citando diferenças insuperáveis com Bolsonaro, a turma do Livres saiu por uma porta enquanto o hoje presidente entrava por outra, trazendo a tiracolo seu círculo de apoiadores. Cerca de 5.000 pessoas do Livres se desligaram do PSL.

Questionado se teria sido enganado, Gontijo balançou a cabeça afirmativamente. A traição, segundo ele, partiu de Luciano Bivar, que na época (como agora) presidia o PSL e havia sido o entusiasta da transformação da legenda em um movimento liberal. “Ele tinha um acordo com a gente e não cumpriu. Ficou mais preocupado com a cláusula de barreira na eleição”, diz.

Procurado, Bivar não se manifestou.

O Livres agora tenta se reorganizar. Gontijo, empresário de comunicação no Rio com passagem como jornalista pelo Jornal dos Sports, chegou a São Paulo no início do ano e se instalou em um escritório na região da avenida Paulista para reestruturar o grupo.

Primeira lição aprendida: não têm a intenção de se transformar em um partido político. “Partido é caro, pesado, e nos tira liberdade de posicionamento”, diz ele.

Isso não quer dizer que o Livres esteja afastado do mundo partidário, ao contrário. O grupo conta com apoiadores em diversas legendas, como Novo, PPS, PHS, PSDB e Rede. Tem em seus quadros, por exemplo, o senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), os deputados federais Marcelo Calero (PPS-RJ) e Tiago Mitraud (Novo-MG), além de deputados estaduais e vereadores em 5 estados. São 14 detentores de mandato, ao todo.

“Para 2019, a meta é aumentar filiados e aumentar os que têm mandato. Queremos ser referência de liberalismo por inteiro”, diz Gontijo.

Algumas estrelas de governos passados também compõem o movimento. Entre eles, Elena Landau, que foi diretora de privatizações do BNDES no governo Fernando Henrique, Ricardo Paes de Barros, considerado um dos pais do Bolsa Família, e Persio Arida, ex-presidente do Banco Central.

O Livres se define como um grupo “liberal-liberal”, em oposição a Bolsonaro, que seria, para eles, “liberal-conservador”. Explica-se: enquanto todos mais ou menos convergem na pauta econômica de redução do peso do Estado na economia, o Livres destoa do atual governo por defender direitos humanos, direitos dos homossexuais (com ênfase nos trans), descriminalização das drogas, fim do serviço militar obrigatório e voto facultativo.

Também são contra o Escola Sem Partido, embora reconheçam que a doutrinação esquerdista nas escolas é um problema real. No caso do aborto, não há consenso no grupo, porque ali se chocam dois direitos individuais, na visão do Livres: o da mulher e o do feto.

Têm ainda algumas pautas um tanto inusitadas, como a oposição à proibição de canudinhos de plástico (no lugar, defendem campanhas de conscientização).

“Estamos falando de criar uma cultura de liberdade. A esquerda sempre teve o mérito de ter uma identidade, ao contrário de nós”, diz Gontijo, que disputou uma vaga na Assembleia do Rio pelo PPS em 2018, mas não se elegeu.

“Por que Vargas Llosa, por exemplo, não é celebrado pelos liberais como a esquerda faz com suas referências intelectuais?”, pergunta, em referência ao peruano Nobel de Literatura.

O Livres é uma associação civil sem fins lucrativos e se financia por meio de mensalidade de seus cerca de 2.000 filiados (R$ 24,90) e de contribuições. Um doador expressivo é a Atlas, fundação baseada nos EUA que fomenta ideias liberais pelo mundo. Para 2019, o orçamento é de cerca de R$ 1,2 milhão.

E como fica a bigamia de políticos que ao mesmo tempo se dizem do Livres enquanto continuam ligados a partidos? As coisas não são excludentes, diz ele, embora seja inevitável que eventualmente ocorram ciumeira e mal-entendidos.

“A gente tenta qualificar o mandato, e não ser uma dor de cabeça para eles”, diz Gontijo. “Não queremos dirigir as carreiras de nossos associados”.

A atuação do Livre se dá pela organização de seminários, difusão de material teórico e compartilhamento de experiências de boa gestão. A exemplo de outros grupos recém-surgidos, são bastante atuantes on-line. Acabaram de pôr no ar, por exemplo, uma série sobre os 25 anos do Real, com depoimentos de protagonistas do plano que controlou a inflação.

Sobre o governo Bolsonaro, Gontijo diz que o grupo não guarda ressentimentos, e apoiará as teses que forem boas para o país, sobretudo na pauta econômica. “Mas temos muitas diferenças com o novo governo. Somos pelo gradualismo, pela convivência democrática”.

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Política

Temer opta por ficar em silêncio em depoimento à PF

O único dos presos na operação que falou até agora foi o ex-ministro Moreira Franco

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O depoimento do ex-presidente Michel Temer, que era previsto para a tarde desta sexta-feira (22), na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), no Rio, não aconteceu. A defesa do emedebista informou aos procuradores que ele ficaria em silêncio.

“O ex-presidente Michel Temer se reservou ao direito de não falar”, informou a procuradora da Lava Jato no Rio, Fabiana Schneider, segundo “O Globo”.

O coronel José Baptista Lima, apontado como operador de Temer, também optou por ficar em silêncio.

O único que falou até o momento foi o ex-ministro Moreira Franco. Ele disse ter ouvido de Temer que o Coronel Lima era quem ficava à frente da empresa Argeplan, contratada para a obra de Angra 3.

“Ouvimos Moreira Franco, que foi o único que até o momento se prontificou a prestar esclarecimentos. Todos os demais presos se reservaram ao direito de manter-se em silêncio”, disse a procuradora. “Moreira Franco respondeu as nossas perguntas. Deu as suas versões dos fatos. Negou o pedido e o recebimento de propina e prestou alguns esclarecimentos. Um fato que ele reconheceu é que, de fato, Michel Temer disse a ele que Lima cuidava da Argeplan, era a pessoa que estava à frente da Argeplan”, completou.

Ainda de acordo com Schneider, na próxima semana, o ex-presidente deve ser denunciado por lavagem de dinheiro, corrupção e peculato.

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Nos últimos dias, Maia externou a aliados chateação com ataques disparados contra ele por Carlos, filho do presidente, na internet

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JULIA CHAIB – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) vai tentar articular um encontro entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Jair Bolsonaro. Ele avisou que faria o gesto nesta sexta-feira (22), durante um almoço com parlamentares.

A tentativa de abrir espaço para uma conversa entre o democrata e o presidente da República acontece em meio a um levante de políticos de diversos matizes contra o discurso do governo, além de demonstrações públicas de Maia de insatisfação com a escalada agressiva de bolsonaristas contra ele nas redes sociais.

Nos últimos dias, Maia externou a aliados chateação com ataques disparados contra ele por Carlos, filho do presidente, na internet.

Onyx falou sobre o assunto com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR). O deputado foi obrigado a adiar o anúncio do relator da reforma da Previdência no seu colegiado em razão da animosidade no campo político.

“É preciso montar a estratégia jurídica e política de aprovação da reforma na Casa. O Onyx vai tentar produzir uma reunião entre o Bolsonaro e o Maia na segunda para realinhar questões que tenham causado ruído”, disse Francischini.

Segundo ele, o governo vai começar a atender deputados, prefeitos e governadores na semana que vem também com o objetivo de melhorar a articulação política do Planalto.

Bia Kicis (PSL-DF), que também participou do encontro com o ministro da Casa Civil, minimiza o impasse. “A gente tem certeza que após um encontro entre os dois tudo vai se acalmar.”

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MPF: esquema envolvendo Temer e Moreira Franco movimentou R$ 1,8 bi

Temer e Moreira Franco foram presos nesta quinta-feira

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Oex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Moreira Franco, junto com os demais presos nesta quinta-feira, foram responsáveis por movimentar, irregularmente, R$ 1,8 bilhão, envolvendo vários órgãos públicos e empresas estatais. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a organização atuava há 40 anos, tendo entre os envolvidos, Temer e o amigo dele João Baptista Lima Filho, conhecido como coronel Lima.

A procuradora Fabiana Schneider ressaltou que a organização começou quando Temer era secretário de Segurança de São Paulo e coronel Lima como auxiliar imediato. “Coronel Lima e Temer atuam desde a década de 80 juntos, quando Temer ocupou a Secretaria de Segurança de São Paulo. Lima passou a atuar na Argeplan (empresa e engenharia), com vários contratos públicos. Houve crescimento de contratações da Argeplan quando Temer ocupou cargos públicos. Uma planilha identifica pagamentos e promessas ao longo de 20 anos para MT, ou seja, Michel Temer”, disse a procuradora.

Segundo ela, o caso da mala de dinheiro apanhada por Rodrigo Rocha Loures, na época era assessor de Temer, propiciou a coleta de áudios, identificando que coronel Lima atuava na intermediação para entrega de dinheiro. A reforma na casa de Maristela Temer, filha do ex-presidente, segundo a procuradora, foi feita com dinheiro ilícito. “A reforma na casa de Maristela Temer não deixa dúvida de como o dinheiro entrava na Argeplan e saia em benefício da família Temer”, disse. De acordo com Fabiana Schneider, foi identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) uma tentativa de depósito de R$ 20 milhões na conta da Argeplan, em outubro de 2018.

O procurador regional da República, Eduardo El Hage, explicou que o valor de R$ 1,8 bilhão é fruto da soma de todos os crimes imputados ao grupo, nos últimos 40 anos. “Existe uma tabela discriminando todos os valores de propinas na peça do MPF. Eles vêm assaltando os órgãos públicos há décadas”, disse El Hage, acrescentando que a Lava Jato continuará as investigações.

A composição do valor bilionário também foi comentado pelo procurador da Lava Jato, Sérgio Pinel. “Este grupo criminoso adotava como modus operandi o parcelamento da propina por vários anos. Todas as propinas que identificamos ou que esteja em investigação, promessa ou paga, somamos e chegamos a esta cifra”, explicou.

Temer e Moreira Franco, presos nesta quinta-feira (21), em um desdobramento da Operação Lava Jato, ficarão detidos em uma cela especial da Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A determinação é do juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal, atendendo um pedido da Força-Tarefa da Operação Lava Jato do Ministério Público Federal. Os procuradores alegaram que, por ser ex-presidente da República, Michel Temer tem direito a tratamento especial, assim como Moreira Franco, que foi ministro até dezembro de 2018.

O coronel Lima também terá direito a cela especial no Estado Maior da PM, em Niterói. Segundo o MPF, o coronel é o operador do esquema de corrupção chefiado pelo ex-presidente.

Michel Temer foi preso em casa, em São Paulo, e Moreira Franco, ao desembarcar no Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Ambos devem passar por exame de corpo delito antes de serem levados para a unidade prisional.

O ex-presidente e o ex-ministro são acusados de receber propina de obras relacionadas à Usina Nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro.

O advogado do ex-presidente, Eduardo Carnelós, disse, por meio de nota, que a prisão de Temer não tem fundamentos.

Em nota, a defesa de Moreira Franco manifestou “inconformidade com o decreto de prisão cautelar”.

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