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Apetite da China por agro brasileiro se diversifica em 10 anos

Importações dos asiáticos ficam relevantes também nas carnes, no algodão e na celulose

ubiie Redação

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MAURO ZAFALON – SÃO PAULO, SP – Cresce rapidamente a diversificação das importações chinesas de produtos agropecuários brasileiros.

As compras do país asiático, quase sempre concentradas em soja, hoje já têm boa participação também em outros itens da agropecuária.

Há uma década, as carnes brasileiras estavam fora do radar dos chineses. Em 2018, eles ficaram com quase um quinto dessas proteínas exportadas pelo Brasil.

O apetite da China é tão grande que o país já é líder na compra de carnes bovina e suína. No caso da carne de frango, eles se aproximam da líder Arábia Saudita.

Embora o presidente Jair Bolsonaro não veja com bons olhos o potencial de investimento da China nas empresas brasileiras, essa voracidade dos chineses é positiva para o agronegócio brasileiro.

O algodão também passou a ser objeto de desejo deles. Em 2008, eles compravam 3% da fibra exportada pelo Brasil. No ano passado, o volume chegou a 28%.

A cotonicultura cresce muito no Brasil. O país eleva a produtividade e aumenta o volume produzido. Os chineses, que já vêm intensificando as compras do produto brasileiro, avisaram que também estão interessados na produção futura de algodão.

A China aumenta, ainda, a participação na celulose brasileira. A produção interna cresce, e o volume fornecido pelo país sobe ano a ano. Em 2018, os chineses ficaram com 42% da vendas feitas pelo Brasil desse produto.

A soja está na liderança das exportações brasileiras, e 82% do produto comercializado externamente foi para a China no ano passado.

A compra de óleo de soja pelos chineses, porém, é bem menor hoje do que há uma década.

Em 2008, os chineses importaram o correspondente a US$ 830 milhões em óleo de soja do Brasil. No ano passado, foram apenas US$ 163 milhões (R$ 602 milhões). Com isso, o Brasil diminui a industrialização da soja.

O Brasil ganha espaço, embora timidamente, no açúcar e no café. A China vem impondo uma taxa elevada para as importações de açúcar.

O resultado foi um recuo nas vendas do produto para apenas US$ 218 milhões no ano passado. Em 2016, chegaram a gastar US$ 824 milhões.

As exportações brasileiras de café, produto que começa a ser apreciado pelos chineses, ficaram em apenas US$ 44 milhões no ano passado.

A menos que os chineses façam com o café o que fazem com a soja –importam o grão para processamento interno–, as exportações brasileiras dessa bebida vão sempre ser restritas.

Isso porque o Brasil não desenvolveu, até agora, indústrias de café com fôlego para exportar o produto torrado e moído. A presença das tradicionais cafeterias internacionais será cada vez maior no gigante asiático.

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Economia

Hoje na prisão, Lula brilhou no Fórum de Davos em 2003

Petista propôs diálogo, garantiu que não atacaria o capitalismo e moderou seu discurso, surpreendendo líderes mundiais

ubiie Redação

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Se Davos está tomada pela curiosidade e até certa apreensão sobre o que representa o governo de Jair Bolsonaro, que faz sua estreia internacional nesta semana, não é a primeira vez que o Fórum se transforma em um espécie de teste a um presidente brasileiro. Em 2003, depois de uma forte volatilidade nos mercados financeiros diante da eleição, o então recém empossado Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido na estação de esqui num clima de desconfiança e curiosidade.

Naquele momento, os mercados temiam um governo que pudesse se afastar do mundo financeiro. Mas, em seu primeiro discurso, Lula propôs diálogo, garantiu que não atacaria o capitalismo e moderou seu discurso.

Funcionários de Davos que estiveram naquele evento há 16 anos lembram que os comentários foram de alívio.

Em sua estreia, Lula disse o que a elite das finanças mundiais queriam ouvir: faria “reformas econômicas, sociais e políticas muito profundas, respeitando contratos e assegurando o equilíbrio econômico”. Ele não deixou de mandar um recado. “Aqui, em Davos, convencionou-se dizer que hoje existe um único Deus: o mercado. Mas a liberdade de mercado pressupõe, antes de tudo, a liberdade e a segurança dos cidadãos”.

Naquele momento, o discurso foi interpretado como um sinal claro de que não haveria expropriações nem um confronto com multinacionais e muito menos um questionamento do sistema financeiro.

Lula ainda fez um gesto inédito: participou num espaço de poucos dias do Fórum Social de Porto Alegre e de seu contraponto, na Suíça. Aos ativistas do Sul prometeu que levaria sua agenda social aos “donos do capital”.

Presidentes de grandes bancos como o Citibank elogiaram o discurso em 2003 e o gesto do então presidente. Bono, vocalista da banda U2, chegou a dizer que Lula havia transformado Davos e colocado a agenda social no evento.

Entre alguns de seus apoiadores, porém, houve uma certa resistência. “Lula está dando um presente para um cadáver, para um cemitério”, disse o escritor Emir Sader, que estava em Porto Alegre naquele ano. Já o ex-presidente de Portugal, Mario Soares, chegou a dizer que o evento suíço não tinha motivo para continuar existindo. “Este Fórum existe há mais de 30 anos e está esgotado”, afirmou.

Em 2010, Lula recebeu o prêmio de estadista do ano, concedido pelo Fórum, mas não compareceu ao evento para recebê-lo. Anos depois, acusaria Davos de não ter feito sua parte para evitar a crise mundial. Hoje, a prisão de Lula e a corrupção em seu governo é um tema que cria saia-justa entre os organizadores do evento na Suíça.

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Presidente será garoto-propaganda da campanha pela reforma

O presidente não deve entrar em detalhes técnicos da proposta, mas vai reforçar a defesa dos pontos principais

ubiie Redação

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O presidente Jair Bolsonaro deve ser o garoto-propaganda para explicar à população os principais pontos da reforma da reforma da Previdência. A popularidade em alta do presidente é uma dos principais trunfos do governo para garantir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já no primeiro semestre do ano.

Para a equipe, o apoio de mais de 57 milhões de votos e a penetração que o presidente tem nos canais digitais (Twitter, Facebook, Instagram e Youtube) garante respaldo ao presidente para assumir a defesa da reforma e evitar os erros de comunicação assumidos pelo governo anterior.

O presidente não deve entrar em detalhes técnicos da proposta, mas vai reforçar a defesa dos pontos principais, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Nos últimos dias, ele, inclusive, tem utilizado textos mais longos nas redes sociais para apresentar posicionamentos do governo e até mesmo nota oficiais.

Dilema presidencial. Com papel central na comunicação da reforma, Bolsonaro vive o dilema de poder se beneficiar do mais vantajoso regime de aposentadoria concedido a parlamentares.

Deputado federal por quase 28 anos, ele já está apto a solicitar benefício do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), que é concedido a partir de 50 anos de idade e oito anos de mandato.

O salário integral de parlamentar é dado a quem completa 30 anos de contribuição para o sistema. O valor da pensão fica fora do teto do funcionalismo – ou seja, Bolsonaro pode acumular esse vencimento com o salário de presidente da República.

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Bolsonaro autoriza fusão entre Embraer e Boeing

Informação foi confirmada em nota pelo Palácio do Planalto

ubiie Redação

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Após reunião com ministros e representantes da Aeronáutica, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que não vetará a fusão da Embraer com a Boeing.

A informação foi confirmada em nota (leia abaixo) pelo Palácio do Planalto no início da noite desta quinta-feira (10).

Na última sexta-feira (4), Bolsonaro chegou a colocar em dúvida um dos pontos do acordo entre Boeing e Embraer, o que derrubou em 5% as ações da fabricante nacional de aviões e acendeu o sinal amarelo nas duas companhias.

O presidente disse estar preocupado com a possibilidade de a nova empresa a ser formada pelas duas fabricantes deixar de ter participação brasileira no futuro.

“Logicamente, nós precisamos, seria muito boa essa fusão, mas não podemos… Como está na última proposta, daqui a cinco anos tudo pode ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. É um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão até para que ela consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo”, disse Bolsonaro no dia 4 de novembro.

Na segunda-feira (7), o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, afirmou nesta segunda-feira (7) que o governo não pensava em interromper o negócio entre as duas empresas.

O governo tem direito de vetar negócios da Embraer por meio de uma ação especial chamada “golden share”.

PROPOSTA

Pela proposta entregue em 17 de dezembro, a Boeing pagará US$ 4,2 bilhões aos brasileiros para formar a NewCo.

Os 20% remanescentes serão da Embraer, embora ela possa se desfazer deles a qualquer momento -um movimento preventivo, segundo observadores do mercado, já que a participação na NewCo é uma das garantias de entrada de dinheiro na “velha Embraer”, que ficará com a divisão de defesa e de jatos executivos da atual empresa.

Também será criada uma joint venture específica para a comercialização de novos contratos do cargueiro militar KC-390, um dos produtos mais promissores da Embraer nesse setor.

Essa companhia terá 51% de controle brasileiro, uma medida que agradou aos militares. Isso e a manutenção da produção de defesa totalmente nacional garantiram o aval ao negócio pelo governo.

Veja o informe da Presidência:

“Em reunião realizada hoje com o Exmo. Sr. Presidente Jair Bolsonaro, com os Ministros da Defesa, do GSI, das Relações Exteriores, da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações; e representantes do Ministério da Economia e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foram apresentados os termos das tratativas entre EMBRAER (privatizada desde 1994) e BOEING.

O Presidente foi informado de que foram avaliados minuciosamente os diversos cenários, e que a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais.

Diante disso, não será exercido o poder de veto (Golden Share) ao negócio.

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