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Análise: Brasil está em região mais vulnerável a ciberataques do mundo

O estudo é de Julián Dana, diretor para a região da Mandiant

ubiie Redação

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Governos e empresas da América Latina não investem o suficiente para se proteger de ataques online feitos por outros países e, por isso, a região é a mais vulnerável do planeta a esse tipo de ação.

A análise é de Julián Dana, diretor para a região da Mandiant, um braço da americana FireEye, uma das principais empresas de cibersegurança no mundo.

Entre os casos em que atuou estão a investigação do roubo por hackers de documentos da Sony em 2014 e do ataque online contra o banco central de Bangladesh dois anos depois.

Ambos foram atribuídos à Coreia do Norte, exemplificando o que o executivo vê como uma tendência: o aumento de ataques feitos por governos com motivação política ou financeira.

“Para um país, é mais fácil montar e investir em um exército de soldados cibernéticos do que comprar um arsenal”, afirma Dana, que conversou com a reportagem durante uma visita a São Paulo.

PERGUNTA – A quantidade de ataques virtuais está aumentando no mundo?

JULIÁN DANA – Acho que há mais repercussão do que acontece. Um banco perde dinheiro, outro também, agora vemos isso seguidamente, a imprensa divulga. Mas na verdade sempre aconteceu, nós só não sabíamos. E vai continuar acontecendo.

Muitos desses ataques na América Latina que estamos vendo, no Chile, no México, no Equador, não são coisas que começaram agora, podem ter acontecido dois anos atrás. Temos casos assim, o banco percebeu agora uma grande transferência, viu que tinha perdido dinheiro. Mas, quando vamos analisar, o agressor esteve lá dentro em 2016 e 2017.

P – Empresas e governos têm prestado mais atenção nesses ataques?

JD – Sim. Acho que, para perceber que precisa de mais segurança, há dois jeitos. Um é você ser atingido. Alguém ataca minha casa ou a do vizinho e vou colocar uma porta blindada, vou colocar um seguro melhor.

A outra opção é um diretor, um presidente, um presidente-executivo que pensa: não quero aparecer no jornal sendo roubado, então vamos fazer segurança.

P – No setor público, quais áreas procuram mais proteção?

JD – Trabalhamos muito com o setor militar, bancos centrais e de desenvolvimento e a área de aposentadoria e trabalhista.

Isso é importante também para proteção de dados, porque essas entidades possuem informações que podem ser usadas para prejudicar as pessoas economicamente.

Há também o sistema de certificados usado por vários países, inclusive no Brasil. Se alguém tem acesso a essas chaves, pode se fazer passar por outras pessoas facilmente.

P – O Brasil está preparado para enfrentar essa guerra cibernética?

JD – Do ponto de vista de espionagem, o Brasil tradicionalmente é mais alvo do que agressor, então governos interessados em políticas de comércio, em eleições, como temos visto, podem roubar dados para fazer propaganda contra uma posição política.

É importante que o governo transmita segurança, inclusive para o setor financeiro. Tem uma questão de imagem. Se o sistema de transferência de um país vira alvo, pode levar outros a pensar duas vezes antes de investir.

P – O país tem pouca defesa?

JD – A América Latina inteira está muito atrasada. Os EUA e a Europa estão melhorando, ultimamente a Ásia também. Mas não adianta só proteger o Banco Central.

O governo brasileiro precisa ter mais maturidade em segurança, ter mais programa de detecção e resposta, precisa investir mais.

Nós mostramos em diversos países um caso que aconteceu com um governo e perguntamos: vocês têm a capacidade para responder a um ataque assim? A resposta é não.

A capacidade de detecção desse tipo de ataque na América Latina está muito atrasada. Os processos são muito velhos, as empresas estatais fazem análises de uma maneira muito antiga. Pode dar certo, mas é muito devagar, não vai pegar o atacante no momento que ele ataca.

P – Como assim?

JD – Os incidentes são inevitáveis. Quem falar que vai só proteger não funciona. O importante não é não ser atacado, é conseguir identificar o ataque enquanto ele acontece e expulsar o atacante antes que ele complete a missão. A proteção não deve ser o foco, precisa ser a detecção. O jogo mudou.

P – Segundo relatório da sua empresa, estão aumentando os ataques originários no Irã. Por quê?

JD – Sempre os governos se atacaram. No passado falávamos muito de interceptar sinais de rádio, hoje falamos de ciberataque.

Há alguns anos o Irã não era muito potente, mas hoje melhorou muito. Para um país, é mais fácil montar e investir em um exército de soldados cibernéticos do que comprar um arsenal, um helicóptero, armamento.

E não tem repercussão. Se um veículo militar é destruído, são milhões de dólares jogados fora, a imagem do país piora. O ataque virtual não tem nada, ninguém sabe, ninguém é preso, é uma farra.

Temos visto que tem aumentado o número de grupos ligados a governos atrás de ganho financeiro, o que antes não era comum. Temos visto a Coreia do Norte fazendo isso, indo atrás de dinheiro para bancar outras atividades.

P – Há ligação entre esses grupos e ações coordenadas de divulgação de ‘fake news’ e uso de robôs?

JD – Acho que tem, porque são meios de manipular as pessoas. Agora, o que realmente existe é gente que rouba dados para expor algo, vai a um determinado partido atrás de segredos de corrupção.

Entrar em uma máquina de um governante e roubar uma mensagem não é mais difícil do que entrar em um banco central.

Temos uma equipe que testa as defesas dos clientes para ver se aguenta um ataque. Em média em três dias conseguimos a senha mais importante de um cliente, que abre a caixa de pandora da empresa. É muito pouco.

Se uma empresa que gasta milhões de dólares e que tem 50, 60 pessoas trabalhando não consegue parar um ataque persistente, imagine entrar no computador de um político para ver um email.

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NASA: degelo da Antártida terá consequências desastrosas para o planeta inteiro (FOTO)

A NASA descobriu que as geleiras na Antártida Oriental, antes consideradas estáveis e não sujeitas a mudanças globais, começaram a derreter rapidamente.

ubiie Redação

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O estudo com as conclusões correspondentes foi publicado no site oficial da agência espacial norte-americana.

Podendo vir a alterar as linhas da costa à volta do mundo, o maior glaciar da Antártida Oriental está derretendo. Armada com um novo mapa da espessura do gelo, a @NASA _ICE descobriu que o mesmo está ocorrendo com os outros glaciares próximos.

É relatado que, se estas geleiras derreterem no futuro, isso terá consequências desastrosas para o planeta inteiro, uma vez que a água derretida elevará significativamente o nível dos oceanos.

Em particular, é referido que o glaciar Totten, o maior desta região, começou a degelar. Se desaparecer completamente, o nível da água do mar no mundo aumentará em mais de três metros.

Além disso, geleiras menores, tais como a Underwood, Bond, Adams e Vanderford, também começaram a derreter. Em comparação com 2008, a altura dessas geleiras diminuiu em quase três metros e cada ano perdem cerca de 25 centímetros de altura.

Segundo a NASA, a principal razão da aceleração do derretimento das geleiras é a água morna que é empurrada das profundidades para a superfície devido a mudanças no nível de gelo no oceano.

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Número de brasileiros barrados de entrar na Europa cresce 50% em um ano

Entre janeiro e junho, 2.225 cidadãos do Brasil foram barrados no continente

ubiie Redação

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A quantidade de brasileiros impedidos de entrar na Europa nos primeiros seis meses de 2018 aumentou 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o mais recente relatório da Frontex, a agência de fronteiras europeia.

Entre janeiro e junho, 2.225 cidadãos do Brasil foram barrados no continente. Isso equivale a mais de 12 pessoas impedidas de entrar na Europa diariamente. O país está na nona posição entre as nacionalidades mais afetadas.

Se consideradas apenas as entradas negadas nos aeroportos, a situação é ainda mais representativa. Os brasileiros só perdem para os cidadãos da Albânia entre as nacionalidades com mais recusas de entrada na União Europeia.

Segundo a Frontex, a maioria dos casos aconteceu porque os brasileiros não possuíam “documentação apropriada para justificar o motivo da viagem e as condições da estadia”.

O número de brasileiros impedidos de entrar na Europa já foi bem maior. Em 2008, por exemplo, mais de 11 mil cidadãos do país não puderam entrar no continente. Os números caíram significativamente ao longo dos anos, até chegarem ao mínimo de 2.313 barrados em 2014.

Desde que a crise política e econômica se intensificou no Brasil, no entanto, as dificuldades nas fronteiras europeias têm aumentado. O número de barrados saltou para 3.701 em 2016: uma alta de mais de 60% em dois anos.

Em 2017, o número voltou a cair, ficando em 3.143. Neste ano, a tendência de alta voltou a ser observada.

A quantidade crescente de deportações também sinaliza o aumento de migrantes brasileiros sem a documentação adequada.

Nos primeiros seis meses de 2018, 1.037 brasileiros foram forçados a sair da União Europeia. Uma alta de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em Portugal, uma das principais portas de entrada dos brasileiros para a Europa, a quantidade de pessoas impedidas de entrar no país também segue em alta.

Após atingir o mínimo histórico em 2013, quando apenas 299 pessoas foram barradas, os números não param de subir. Em 2017, 1.336 brasileiros foram recusados em Portugal.

Números do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) divulgados pelo jornal Expresso indicam que, até 31 de agosto de 2018, 1.655 cidadãos do Brasil foram impedidos de entrar em território luso.

Isso representa um aumento de 23,8% em relação ao total do ano anterior, que já havia sido de alta.

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Geólogos acham universo imenso de ‘bactérias zumbis’ nas profundezas da Terra

Pela primeira vez, geólogos e biólogos encontraram e determinaram o peso das “bactérias zumbis” que habitam no núcleo do nosso planeta, bem como todos os outros habitantes das profundezas subterrâneas, e definiram que pesam centenas de vezes mais do que todas as pessoas.

ubiie Redação

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Por muito tempo, os cientistas acreditavam que a vida na Terra encontrava-se apenas na superfície dos continentes, mares, oceanos e no leito marítimo, disseram cientistas durante reunião da União Geofísica Americana (AGU, na sigla em inglês) em Washington.

Nos últimos anos, tornou-se evidente que os limites da biosfera são muito mais amplos. Grandes colônias microbianas foram encontradas no fundo da Fossa das Marianas e dentro de rochas a muitos quilômetros de profundidade.

“Há dez anos, pensávamos que a vida era encontrada apenas em pequenos cantos selecionados da Terra. Agora sabemos que é encontrada praticamente em todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar essa ‘matéria escura’ da biosfera, sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee.

Além disso, os cientistas descobriram que existem organismos multicelulares “subterrâneos”, como a centopeia Hades, que vive no fundo de uma caverna na Croácia, e também nematóides do gênero Poikilolaimus, habitantes do solo das minas de ouro na África do Sul em grandes profundidades.

Uma das características mais incomuns desses organismos é o rimo metabólico extremamente lento associado a uma constante falta de oxigênio ou nutrientes. Por essa razão, muitos cientistas comparam esses habitantes do submundo com “zumbis” da literatura de fantasia.

Todas essas descobertas, como notou Lloyd, forçaram os cientistas a pensar em quantas criaturas vivas se escondem nas camadas profundas da litosfera da Terra e a calcular seu número aproximado.

Há quase uma década, o Observatório de Carbono Profundo (DCO, na sigla em inglês), foi criado para resolver esse problema, que agora inclui 40 países e quase mil cientistas.

Seus participantes coletaram e estudaram centenas de amostras das camadas mais profundas da crosta e do leito do mar, o que os ajudou a compilar o primeiro mapa, bem como estimar a massa total, volume e outras propriedades importantes da “matéria escura” biológica.

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