Siga-nos

Lifestyle

107

Tempo estimado para a leitura: 4minuto(s) e 10segundo(s).

Pesquisadores estudam ‘superidosos’ com memória de jovens

Loyde e Lemos fazem parte de um grupo seleto que começou a ser estudado nos últimos meses

ubiie Redação

Publicado

em

Aos 82 anos, a professora aposentada Loyde de Carvalho Fagundes faz hidroginástica, frequenta o clube, faz psicoterapia, escreve poemas e está sempre ligada nas notícias. Na terceira idade, passou a ter como lema um famoso ditado popular, só que adaptado por ela: “Mente vazia, oficina do Alzheimer, por isso tento sempre me ocupar.”

A rotina do engenheiro aposentado Mauricio José Tosi Ferreira Lemos, de 85 anos, não é menos agitada. Ele é conselheiro do condomínio, faz aulas de dança, participa de excursões aos fins de semana e acaba de ingressar no curso repórter 60+, voltado para idosos com vontade de aprender um pouco mais sobre jornalismo. “Tem gente que é caseiro. Sou ‘rueiro’, não gosto de ficar quieto, não”, conta, aos risos.

Loyde e Lemos fazem parte de um grupo seleto que começou a ser estudado nos últimos meses por uma rede formada por três instituições de pesquisa brasileiras: as Universidades de São Paulo (USP), Federal de Minas (UFMG) e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). No fim do ano passado, elas se uniram para tentar descobrir os segredos dos chamados superidosos – indivíduos com mais de 80 anos que apresentam desempenho cognitivo, principalmente no campo da memória, compatível com o de uma pessoa 20 ou 30 anos mais jovem.

Com o envelhecimento da população e o aumento do número de pessoas com mais de 80 anos, os pesquisadores querem entender o que faz os cérebros dos superidosos serem mais resistentes aos efeitos do avanço da idade, investigação que daria pistas de como prevenir ou adiar quadros de Alzheimer ou outras demências.

“Estudar isso abre a perspectiva de saber se essa característica é mero acaso ou se há algo ao longo da vida que fez com que esses superidosos obtivessem um envelhecimento bem-sucedido. Queremos saber se é só genética ou se há algo mais”, destaca Ricardo Nitrini, professor de Neurologia da USP. “Em vez de se estudar só os indivíduos com demência e ver o que de ruim fizeram, a ideia é pegar um indivíduo que está bem e descobrir o que de bom ele fez.”

Ele e seu doutorando, o neurologista do Hospital das Clínicas Adalberto Studart Neto, já estão estudando dois casos identificados como superidosos e buscam mais voluntários. “O tema tem despertado cada vez mais interesse na comunidade científica, mas a dificuldade é encontrá-los. São raros, por isso juntamos esforços com outros grupos, para ter uma casuística maior”, explica Nitrini.

Segundo Studart Neto, os primeiros testes realizados pelos grupos para identificar superidosos são os neuropsicológicos, capazes de mostrar o desempenho desses pacientes em várias funções cerebrais. “O principal teste que se usa é o RAVLT (teste de aprendizagem auditivo-verbal de Rey, na sigla em inglês), que avalia a memória tardia espontânea. A pessoa é exposta a 15 palavras por cinco vezes; em seguida entra em contato com outras palavras e, após 30 minutos, tem de repetir as 15 palavras iniciais”, detalha.

Com a perda da capacidade de memorização, natural ao envelhecimento, o esperado para a faixa dos 80 anos é que os participantes recordem de sete a oito palavras, mas, entre os superidosos, a média de memorização é de mais de dez palavras – desempenho compatível com o de alguém de 50 a 60 anos.

Na PUC-RS, primeira a iniciar os estudos com superidosos, em 2015, já há dez com alto desempenho cognitivo. A experiência do grupo, liderado pelo neurocientista Jaderson Costa da Costa, diretor do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, os levou a mudar concepções. “O conceito de super-agers (em inglês) foi criado nos Estados Unidos. Por isso, em consenso com os professores Nitrini e Paulo Caramelli (UFMG), adaptamos a definição para o cenário brasileiro, considerando superidosos os maiores de 75 anos com desempenho cognitivo de pessoas mais jovens”, diz Wyllians Vendramini Borelli, da PUC-RS.

Com as investigações no País e no exterior, já há pistas sobre as características dos idosos de alto desempenho. Algumas áreas do cérebro relacionadas a memória e motivação, por exemplo, são mais desenvolvidas ou ativas nos superidosos. Na parte comportamental, eles são, na maioria, ativos, otimistas e sociáveis.

Na prática

Para Loyde e Lemos, não há dúvidas: cabeça ocupada e uma vida feliz pelo menos contribuíram para a memória excepcional. “Posso dizer que o que fiz na minha vida me ajudou. Sempre tive muitos amigos, busquei boa saúde, me interessei em ampliar minha cultura”, conta o aposentado.

Loyde diz que exigências que a vida lhe impôs renderam bons frutos. “Tive oito filhos, trabalhava fora como professora, tinha de cuidar deles e preparar as aulas e ainda fiquei viúva cedo. Isso me obrigou a ter uma vida bem ativa. E é nisso em que acredito: para ficarmos fortes, tem de preparar o cérebro: ele estar sempre bem cultivado.”

‘Reserva congnitiva’

A ideia de acumular economias para chegar à velhice vale para a saúde mental. Para Yaakov Stern, professor do Departamento de Neurologia da Universidade de Columbia, em Nova York, deve-se ter uma reserva cognitiva – conceito criado para determinar a capacidade que o cérebro tem de se adaptar melhor aos danos sofridos ao longo da vida, entre eles o processo de envelhecimento. Essa reserva explicaria, por exemplo, por que algumas pessoas com os mesmos níveis de lesão cerebral encontrados em exames de imagem demoram mais a manifestar quadros de demência, como o Alzheimer.

0
0
Clique para comentar
Publicidade

Lifestyle

Tempo gasto em frente a telas afeta desenvolvimento de criança

Período em que os filhos crianças ficam em frente às telas nem sempre é calculado pelas famílias

ubiie Redação

Publicado

em

Daniel, de 10 anos, passa no máximo uma hora e meia por dia em frente às telas da televisão ou do computador. Mas nem sempre foi assim. No ano passado, chegava a gastar oito horas diárias na TV – tempo que, segundo a mãe, o deixava agitado e desconcentrado. Quando percebeu que a situação tinha causado impacto até no desempenho escolar, a dona de casa Laís Corrêa, de 31 anos, reduziu o acesso aos equipamentos.

“Ele ficava agitado quando assistia a vídeos. Isso refletia no comportamento, diminuía a criatividade”, diz a mãe. A diminuição no horário veio acompanhada de resmungo e de “greve”. “Ele disse que não ia fazer mais nada. Mas a criança encontra alguma coisa. Agora, virou um ‘cientista maluco’, pega coisas quebradas, sai abrindo, explorando”, diz Laís, que pretende replicar as novas regras com a caçula Ananda, de 2 anos.

O tempo que as crianças passam em frente às telas nem sempre é calculado pelas famílias, mas desperta a atenção de cientistas e médicos. Uma pesquisa recente mediu o número de horas que meninos e meninas de 8 a 11 anos ficam em celular, TV e videogames. O estudo, publicado na revista Lancet Child & Adolescent Health, concluiu que só 37% das 4,5 mil crianças americanas analisadas usam os aparelhos por até duas horas diárias.

Os cientistas também mediram o desenvolvimento cognitivo das crianças em áreas como linguagem, memória e atenção – então, cruzaram com dados sobre tempo de tela. “Independentemente do conteúdo, limitar o tempo recreativo de tela de uma criança a menos de duas horas está positivamente associado à cognição”, disse ao jornal O Estado de S. Pauko Jeremy Walsh, do Hospital Infantil do Leste de Ontário e um dos autores do estudo.

A pesquisa não estabeleceu relação de causa entre cognição e o uso das telas, mas, segundo especialistas, está cada vez mais claro o impacto do abuso dos aparelhos no desenvolvimento. “A criança precisa interagir com objetos reais (brinquedos e pessoas)”, diz a pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ana Lúcia Meneghel, que começou a estudar o tema após ver uma cena que a intrigou. “Uma criança em frente a um aquário mexia os dedinhos para o peixe aumentar.” O exagero, diz, pode causar atraso na construção de noções de localização, medida e estimativa.

Parâmetros

Se o excesso é prejudicial, os pais se perguntam: quanto e como controlar? Quando Pedro ganhou, aos 9 anos, um celular, a comerciante Fabiana Teixeira, de 39, achou que o aparelho seria um estímulo à criatividade. Com o tempo, notou mudanças no comportamento do filho. “Ele queria ficar mais recluso no quarto, ficou mais introvertido.” Agora, Fabiana evita o acesso contínuo. “Não pode ficar por mais de uma hora”, avisa.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças da idade de Pedro não devem usar as telas por mais de duas horas diárias. Já para as de 2 a 5 anos, o rigor é maior: até uma hora. E bebês com menos de 2 anos não deveriam ter contato.

“Quanto mais tempo de tela, menos exposta a criança vai estar a outras experiências importantes para construir sua arquitetura cerebral”, diz Liubiana de Araújo, presidente do Departamento Científico da Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP.

Para Andréa Jotta, do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os equipamentos não são prejudiciais em si, mas uma “ferramenta a mais para lidar com o mundo”, que exige acompanhamento dos pais. “Eles têm de educar dentro e fora, acompanhar o crescimento da criança com as telas.”

0
0
Continuar lendo

Lifestyle

3 leites saudáveis para quem quer substituir o leite de vaca

Leites de Castanha de Caju, de Inhame e de Semente de Girassol são ótimas opções para quem procura uma alternativa ao leite animal

ubiie Redação

Publicado

em

Pessoas veganas, que possuem intolerância à lactose ou mesmo que procuram por uma opção menos calórica, os leites vegetais são uma excelente escolha. Para ajudar na hora de decidir qual o leite vegetal ideal para você, a Dra. Renata Domingues, médica especializada em Nutrologia, diretora responsável da Clínica Adah e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia Médica (Abranutro), apontou os mais conhecidos e explicou os benefícios de cada um deles. Confira:

– Leite de Inhame: Rico em vitaminas B6, C, ferro, cálcio, potássio e magnésio, o consumo regular do Leite de Inhame potencializa a atuação do sistema imunológico e melhora a qualidade do sangue, auxiliando na prevenção de infecções e inflamações e na eliminação das toxinas do sangue através da pele, dos rins e do intestino, já que possui propriedades depurativas e desintoxicantes. “Devido aos nutrientes bioativos presentes no tubérculo, o Leite de Inhame ainda possui outros benefícios como o fortalecimento dos ossos e o equilíbrio dos níveis de progesterona, auxiliando assim nos sintomas da TPM”, afirma a Dra. Renata. “Rico em amido e fibras e com baixo índice glicêmico, o leite é ainda uma ótima fonte de energia, controlando os níveis de açúcar no sangue, além de facilitar a digestão.”

– Leite de Castanha de Caju: Repleto de vitaminas e minerais, o Leite de Castanha de Caju ajuda a fortalecer os ossos, blindar o sistema imunológico, prevenir o envelhecimento e proteger a visão, pois é rico em cálcio, antioxidantes e vitaminas A, D, E e do complexo B. “Com apenas 25 calorias por copo, este leite ainda contém alto teor de Ômega-3, 6 e 9, nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo. Além disso, o leite é fonte de nutrientes como o fósforo, que previne a osteoporose, e o potássio, importante para a saúde do sistema cardiovascular”, destaca a médica.

– Leite de Semente de Girassol: Rico em gordura saudável, o Leite de Semente de Girassol é uma excelente fonte de nutrição, pois as sementes de girassol são carregadas de nutrientes, como fibras, proteínas, ácidos graxos essenciais, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, zinco, magnésio, potássio, manganês e selênio. “Com grande quantidade de vitamina E e de triptofano, o Leite de Semente de Girassol proporciona benefícios antioxidantes e anti-inflamatórios e pode ajudar a tratar a depressão e a ansiedade, já que melhora as atividades cerebrais. Ótima fonte de energia, as sementes de girassol também foram ligadas à redução do colesterol, da pressão arterial e do açúcar no sangue, promovendo assim a saúde do sistema cardiovascular”, explica a especialista.

Segundo a Dra. Renata Domingues, além de todos esses benefícios, os leites vegetais são deliciosos e podem ser encontrados em diversas lojas de alimentos naturais. “Os leites vegetais devem sempre fazer parte de um plano alimentar saudável, desde que este seja devidamente acompanhado por um nutricionista ou nutrólogo no caso de restrições por alergias ou intolerâncias”, finaliza.

0
0
Continuar lendo

Lifestyle

Fumar maconha acelera o envelhecimento cerebral

Um recente estudo aponta efeito negativo associado à droga

ubiie Redação

Publicado

em

Fumar ou não fumar? Muitos defendem que os malefícios do álcool superam os da maconha e que esta deveria ser uma droga legalizada dado os seus controlados efeitos em doses moderadas.

Mas tais argumentos não impedem que variados cientistas analisem a substância. Daniel Amen é autor de um destes estudos, e aponta os danos cerebrais que surgem como consequência do consumo frequente de maconha, nomeadamente o envelhecimento cerebral.

O pesquisador indica um envelhecimento do cérebro três vezes superior ao normal, apontado pelo menor fluxo sanguíneo a esta zona do corpo, essencial ao seu bom funcionamento, e que pode levar a consequências como ataques cardíacos ou demência.

As conclusões surgiram da análise ao cérebro de mais de 31.000 indivíduos – o maior estudo do gênero já realizado. Nenhuma associação entre consumo de cannabis e depressão foram apontadas, mas sim doenças bipolares.

0
0
Continuar lendo
Publicidade
1USD
United States Dollar. USA
=
112,29
JPY +0,40%
3,73
BRL –0,28%
1EUR
Euro. European Union
=
129,95
JPY +0,31%
4,31
BRL –0,37%
1BTC
Bitcoin. Crypto-currency
=
728.836,45
JPY +0,68%
24.178,35
BRL 0,00%

Tokyo
16°
Mostly Cloudy
WedThuFri
22/14°C
19/13°C
18/13°C

São Paulo
20°
Mostly Cloudy
TueWedThu
min 18°C
27/19°C
27/19°C

Arquivos

Facebook

Publicidade

Mais vistas da semana