Siga-nos

Brasil

190

Tempo estimado para a leitura: 5minuto(s) e 33segundo(s).

Sem favorecimento, paciente fica 8 meses na fila por cirurgia no Rio

Estimativa média, de 239 dias de espera, é da própria prefeitura, que tem como meta até 2020 realizar 75% das consultas e exames em 90 dias

ubiie Redação

Publicado

em

Enquanto o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), promete a fiéis cirurgias de catarata em “uma ou duas semanas” caso procurem sua assessora Márcia, outros pacientes na cidade aguardam bem mais: oito meses só para a primeira consulta.

A estimativa média, de 239 dias de espera, é da própria prefeitura, que tem como meta até 2020 realizar 75% das consultas e exames em 90 dias. A demora é ainda mais longa quando se trata de consultas oftalmológicas pediátricas ou para glaucoma (aumento da pressão ocular) -449 dias e 463 dias, respectivamente.

A fila da saúde era uma das principais bandeiras de campanha de Crivella em 2016 e está no centro de uma polêmica que quase levou o prefeito à berlinda na última semana, quando vereadores de oposição se organizaram para votar um processo de impeachment. Ele foi barrado na quinta (12) por falta de votos.

A articulação começou após o vazamento de áudios do prefeito durante uma reunião a portas fechadas com 250 pastores e líderes evangélicos. No evento, Crivella ofereceu ajuda para encaminhar fiéis a cirurgias de catarata, tratamentos de varizes e vasectomias, além de outros benefícios.

“É só conversar com a Márcia que ela vai encaminhar, e daqui a uma semana ou duas eles estão operando”, disse o bispo licenciado em diálogo divulgado pelo jornal O Globo.

A fala gerou críticas da oposição e levantou a suspeita de que o prefeito estaria favorecendo um grupo religioso em detrimento da população -o que pode configurar improbidade administrativa. Na rede pública da cidade, há relatos de pessoas que aguardam a cirurgia de catarata, considerada simples, há dois anos.

A reportagem conversou com uma paciente que espera pelo procedimento desde 2016 e uma agente comunitária da favela da Maré que tenta marcar desde janeiro um exame simples para mudar o grau dos seus óculos, sem sucesso. Ambas pediram para não terem seus nomes divulgados por medo de serem prejudicadas na fila.

Apesar dos esforços da gestão com medidas como o mutirão da catarata -que contratou 2.571 cirurgias desde abril e pretende zerar a demanda na cidade- e o Corujão Carioca -que faz cirurgias à noite e nos fins de semana, replicando o programa do ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB)-, o problema continua distante do fim.

Um total de 193 mil pessoas estavam na fila para conseguir agendamento de consultas, exames e cirurgias eletivas em julho de 2017, segundo uma auditoria do TCM (Tribunal de Contas do Município) divulgada nesta semana.

O clínico geral Igor Saffier, que pesquisou a fila em uma unidade de saúde em 2017, critica a estratégia de mutirões da atual gestão. “São ações válidas para tentar desafogar a fila, mas não vão resolver. É preciso investir na estrutura da saúde básica”, diz.

A forma como o Sisreg (Sistema de Regulação) é gerido também está entre as principais críticas a Crivella. O sistema é usado por profissionais da saúde para marcar todos os procedimentos para a população que busca atendimento nas redes municipal, estadual e federal na cidade.

A recente auditoria do TCM, porém, concluiu que dados do Sisreg não batem com os atendimentos efetivamente realizados, ou seja, parte deles é feita sem registro no sistema -o que pode indicar má gestão ou desrespeito à fila.

Motivados pelo relatório e pelas falas polêmicas de Crivella, vereadores querem agora abrir duas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para apurar possíveis fraudes.

Tanto o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio) quanto a Defensoria Pública do estado criticam a falta de transparência da gestão com relação à fila e dizem não ter acesso ao sistema. Segundo a defensora pública Raphaela Jahara, o acesso era franqueado no governo passado.

O médico Moisés Vieira Nunes, presidente da Amfac-RJ (Associação de Medicina de Família e Comunidade do RJ), reconhece que a complexidade da rede é grande, mas que alguns problemas no Sisreg contribuem para as longas esperas. “Muitas vagas de hospitais estaduais e federais não entram no sistema.”

Além das falhas, existe ainda uma espécie de “fila da fila”, segundo relataram dois servidores da saúde municipal. Na cirurgia de catarata, por exemplo, que é feita na rede privada, quando o paciente consegue marcar uma consulta e é encaminhado ao local, enfrenta uma nova fila.

O presidente do Cremerj, Nelson Nahon, ressalta que a falência do governo do estado e a redução de repasses a hospitais federais em 2017 aumentaram ainda mais a demanda nas unidades municipais, que também enfrentam enxugamento de recursos.

Somente em 2017, primeiro ano da gestão Crivella, houve corte de R$ 543 milhões (10%), nos repasses para Saúde.

A piora do quadro gera um efeito em cadeia. Segundo estudo do Cremerj, 46% dos pacientes que chegam aos hospitais para tratamento de câncer já estão em estágio avançado. “Quem trata é o governo federal, mas quem faz o diagnóstico é a atenção básica do município. Se atrasa no diagnóstico, atrasa também no tratamento”, diz Nahon.

OUTRO LADO

A gestão Marcelo Crivella afirma que chamou, em pouco mais de dois meses, 65% dos pacientes que aguardam na fila de cirurgia de catarata para realizar sua primeira consulta. Foram 8.525 pessoas convocadas de 16 de abril -início do mutirão- até 29 de junho.

Um quarto delas, porém, faltou ao atendimento. No total, a ação já realizou 2.571 operações, o equivalente a 20% da fila da catarata até março, de cerca de 13 mil pacientes.

A respeito de pessoas que dizem esperar há mais de dois anos por uma cirurgia, a prefeitura reitera que é preciso avaliar caso a caso e pede que os usuários procurem uma unidade de atenção primária para que seu cadastro e situação clínica sejam atualizados.

Também lembra que, em 2016, mais de 90 mil solicitações de serviços foram devolvidas pela central de regulação, órgão que avalia se os pedidos são apropriados ou não.

Sobre as suspeitas de fraude no sistema que regula a espera, a Secretaria Municipal de Saúde rebate que não há indícios de que as filas não estejam sendo respeitadas.

A gestão Crivella diz ainda que não procede a informação de falta de investimento em atenção básica, uma vez que sete novas clínicas da família foram inauguradas.

Cita, enfim, a “difícil situação deixada” pela gestão anterior, de Eduardo Paes (DEM), afirmando que herdou um custo anual de R$ 422 milhões sem recursos para cobri-lo.

0
0
Clique para comentar
Publicidade

Brasil

Jovem com câncer morre após fugir de hospital para comer hambúguer

Depois de realizar o seu desejo, o adolescente de 18 anos passou mal e foi socorrido, mas não resistiu e morreu dias depois

ubiie Redação

Publicado

em

Com câncer terminal de intestino, Wendrik Santos da Silva, de 18 anos, fugiu do Hospital Municipal São José, em Joinville (SC), onde estava internado, para realizar o seu último desejo: comer hambúrguer. O jovem passou mal e morreu após comer o lanche em uma rede de fast-food.

Como conta o “Extra”, sem ter como pagar pelo hambúguer, Wendrik foi à Câmara de Vereadores de Joinville, onde sua mãe trabalhava, e pediu dinheiro emprestado a conhecidos. Na sequência, ele se dirigiu à lanchonete, comeu um hambúrguer e tomou dois refrigerantes. A fuga aconteceu na semana passada.

Depois de realizar o seu desejo, o adolescente passou mal e foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de volta para o hospital onde estave internado. Wendrik morreu na última terça-feira (19).

0
0
Continuar lendo

Política

Temer opta por ficar em silêncio em depoimento à PF

O único dos presos na operação que falou até agora foi o ex-ministro Moreira Franco

ubiie Redação

Publicado

em

O depoimento do ex-presidente Michel Temer, que era previsto para a tarde desta sexta-feira (22), na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), no Rio, não aconteceu. A defesa do emedebista informou aos procuradores que ele ficaria em silêncio.

“O ex-presidente Michel Temer se reservou ao direito de não falar”, informou a procuradora da Lava Jato no Rio, Fabiana Schneider, segundo “O Globo”.

O coronel José Baptista Lima, apontado como operador de Temer, também optou por ficar em silêncio.

O único que falou até o momento foi o ex-ministro Moreira Franco. Ele disse ter ouvido de Temer que o Coronel Lima era quem ficava à frente da empresa Argeplan, contratada para a obra de Angra 3.

“Ouvimos Moreira Franco, que foi o único que até o momento se prontificou a prestar esclarecimentos. Todos os demais presos se reservaram ao direito de manter-se em silêncio”, disse a procuradora. “Moreira Franco respondeu as nossas perguntas. Deu as suas versões dos fatos. Negou o pedido e o recebimento de propina e prestou alguns esclarecimentos. Um fato que ele reconheceu é que, de fato, Michel Temer disse a ele que Lima cuidava da Argeplan, era a pessoa que estava à frente da Argeplan”, completou.

Ainda de acordo com Schneider, na próxima semana, o ex-presidente deve ser denunciado por lavagem de dinheiro, corrupção e peculato.

0
0
Continuar lendo

Política

External Media Upload

Nos últimos dias, Maia externou a aliados chateação com ataques disparados contra ele por Carlos, filho do presidente, na internet

ubiie Redação

Publicado

em

JULIA CHAIB – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) vai tentar articular um encontro entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Jair Bolsonaro. Ele avisou que faria o gesto nesta sexta-feira (22), durante um almoço com parlamentares.

A tentativa de abrir espaço para uma conversa entre o democrata e o presidente da República acontece em meio a um levante de políticos de diversos matizes contra o discurso do governo, além de demonstrações públicas de Maia de insatisfação com a escalada agressiva de bolsonaristas contra ele nas redes sociais.

Nos últimos dias, Maia externou a aliados chateação com ataques disparados contra ele por Carlos, filho do presidente, na internet.

Onyx falou sobre o assunto com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR). O deputado foi obrigado a adiar o anúncio do relator da reforma da Previdência no seu colegiado em razão da animosidade no campo político.

“É preciso montar a estratégia jurídica e política de aprovação da reforma na Casa. O Onyx vai tentar produzir uma reunião entre o Bolsonaro e o Maia na segunda para realinhar questões que tenham causado ruído”, disse Francischini.

Segundo ele, o governo vai começar a atender deputados, prefeitos e governadores na semana que vem também com o objetivo de melhorar a articulação política do Planalto.

Bia Kicis (PSL-DF), que também participou do encontro com o ministro da Casa Civil, minimiza o impasse. “A gente tem certeza que após um encontro entre os dois tudo vai se acalmar.”

0
0
Continuar lendo
Publicidade
1USD
United States Dollar. USA
=
109,93
JPY 0,00%
3,91
BRL 0,00%
1EUR
Euro. European Union
=
124,29
JPY 0,00%
4,42
BRL 0,00%
1BTC
Bitcoin. Crypto-currency
=
437.953,81
JPY –0,27%
15.565,92
BRL –0,27%

Tokyo
Clear
SatSunMon
min 3°C
13/4°C
15/7°C

São Paulo
25°
Partly Cloudy
SatSunMon
27/17°C
29/17°C
30/18°C

Arquivos

Facebook

Publicidade

Mais vistas da semana