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Redes sociais adotam medidas para combater fake news nas eleições

Facebook, Google, YouTube, Twitter e WhatsApp estão nesta luta

ubiie Redação

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A ascensão das chamadas notícias falsas (fake news, no termo em inglês) a um objeto de preocupação em todo o mundo colocou no centro da discussão o papel de redes sociais como Facebook, Google, YouTube, Twitter e WhatsApp. Se por um lado é reconhecido que o fenômeno da desinformação é antigo, por outro lado é consenso entre pesquisadores, autoridades e empresas que a diferença no cenário atual de divulgação de conteúdos falsos está no alcance e na velocidade permitidos pelo compartilhamento de mensagens nesses ambientes. Para tentar diminuir os questionamentos e o dano à imagem, diversas redes sociais vêm anunciando medidas para tentar combater a circulação das notícias falsas.

As redes sociais são terreno fértil para a difusão de notícias falsas por diferentes motivos. Alguns criadores desses conteúdos buscam divulgar uma ideia ou atacar uma pessoa, partido ou instituição. Outros têm motivação econômica, uma vez que a grande circulação de uma publicação gera interações, o que pode se traduzir em dinheiro a partir da lógica de veiculação de anúncios nessas plataformas. Foi o caso, por exemplo, de jovens da Macedônia que criaram perfis para difundir notícias falsas nas eleições dos Estados Unidos em 2016 como fonte de renda.

Essas possibilidades geraram intensos questionamentos. Nos Estados Unidos, o Facebook virou objeto de investigação do Congresso sobre uma possível influência de organizações russas nas eleições de 2016. O presidente da empresa, Mark Zuckerberg, teve de ir ao Congresso prestar explicações também sobre o escândalo de vazamento de dados de 87 milhões de usuários envolvendo a empresa de marketing eleitoral Cambridge Analytica. A companhia foi questionada ainda por autoridades de outros países, inclusive brasileiras, sobre o caso.

Na Índia, o WhatsApp, aplicativo de propriedade do Facebook, virou assunto de preocupação nacional nas últimas semanas depois de uma série de assassinatos e linchamentos a partir de informações falsas divulgadas na rede social.

O Google sofreu críticas por apresentar nos resultados de busca informações falsas, tanto sobre as eleições dos EUA quanto sobre fatos históricos, como o Holocausto.

Rede social mais criticada, o Facebook inicialmente rebateu as acusações relativas ao papel nas eleições dos EUA, mas depois do pleito passou a anunciar um conjunto de medidas para reduzir a circulação dessas mensagens na sua plataforma. A principal delas foi a realização de um acordo com agências de checagem para averiguar a veracidade de publicações. No Brasil, a parceria envolve as agências Lupa, Aos Fatos e France Press. “Esse mecanismo permitiu cortar em até 80% a distribuição orgânica de notícias consideradas falsas por agências de verificação parceiras nos Estados Unidos, onde a ferramenta já está funcionando há algum tempo”, relatou a empresa em nota divulgada em 10 de maio.

Conteúdos são selecionados por meio de sistemas automatizados da plataforma e a partir de denúncias feitas por pessoas. Há ferramentas para que usuários possam indicar um post como fake news. Em seguida, são checados pelas agências – cada uma com metodologia específica. A Lupa, por exemplo, classifica os textos em: (1) verdadeiro; (2) verdadeiro, mas.., quando o leitor merece mais explicações; (3) ainda é cedo pra dizer, quando a informação ainda não é verdadeira; (4) exagerado; (5) contraditório; (6) insustentável; e (7) falso.

Em 2017, o Facebook anunciou que as checagens apareceriam como uma informação adicional. Contudo, em 2018 elas passaram a ter consequências para os autores. Aquelas mensagens consideradas falsas têm o alcance reduzido, e os usuários que as compartilharam recebem uma notificação.

Outra frente de atuação é o combate aos perfis falsos, identificados como um instrumento de difusão de fake news. A empresa anunciou em maio que derrubou neste ano, em média, 6 milhões de contas falsas por dia. A remoção ocorreu baseada nos “parâmetros da comunidade”, regras que, quando violadas, geram a exclusão da publicação. O chamado discurso de ódio, muitas vezes associado a notícias falsas, também é objeto de retirada. “Também removemos 2,5 milhões de conteúdos com discurso de ódio no primeiro trimestre de 2018”, informou o vice-presidente de produto, Guy Rosen, em comunicado publicado em 15 de maio.

Uma das principais críticas de autoridades e organizações da sociedade civil é a falta de transparência no pagamento de anúncios, recurso usados por organizações russas na disputa estadunidense de 2016. No Brasil, também cresceu o receio sobre possíveis abusos nessa ferramenta depois que ela foi legalizada para as eleições deste ano pela minirreforma eleitoral aprovada no ano passado.

O Facebook anunciou ao longo do ano algumas ações sobre o tema, como a identificação de anúncios políticos (no Brasil são aqueles divulgados por candidatos), a disponibilização da informação em cada página de quais anúncios estão ativos ou já foram distribuídos no passado. “Durante a campanha eleitoral, os brasileiros verão quais anúncios foram marcados pelos anunciantes nessa categoria, e todos eles serão adicionados ao arquivo”, explicou a diretora de Marketing de Produto, Emma Rodgers, em nota divulgada em 28 de junho.

O Google evita usar o termo fake news, adotando os conceitos de “conteúdos enganosos, manipulados e fabricados”. A plataforma contribuiu para fundar uma coalizão internacional sobre o tema, chamada First Draft. Neste ano, a rede vai realizar um programa de checagem de informações nas eleições que ganhou o nome de “comprova”, contando com a presença de diversos órgãos de mídia do país.

A plataforma criou também um braço voltado ao jornalismo, Google Notícias. Este realiza projetos de estímulo ao jornalismo de qualidade, como financiamento de projetos e cursos. Em março deste ano, a empresa anunciou a destinação de R$ 1,12 bilhão nessa frente.

Para a identificação e verificação de conteúdos falsos disponibilizados na ferramenta de busca, foi criado um selo de checagem de fatos. “O selo de checagem não significa priorização na busca. O resultado em que ele vai aparecer depende da busca pelo conteúdo, e não pelo fato de ele ser checado”, explicou o diretor de Relações Governamentais e Políticas do Google no Brasil, Marcelo Lacerda, em seminário sobre o tema realizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 21 de junho.

Além disso, a empresa ajustou os sistemas da ferramenta de busca e inseriu o que chama de “avaliadores de qualidade”, indicadores que são lidos para que a ferramenta de busca não disponibilize o conteúdo enganoso. Como forma de promoção de veículos jornalísticos tradicionais, foi incluído na página do site um carrossel com notícias de parceiros em destaque.

O Twitter não divulgou medidas específicas contra fake news, mas combate o que chama de “contas automatizadas mal-intencionadas e/ou que disseminam spam”, perfis falsos ou os chamados robôs (ou bots, no termo em inglês popularizado). Os robôs são vistos como um dos meios de disseminação de notícias falsas e um dos problemas na rede social, embora estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês) tenha apontado o grau de difusão de fake news por essas contas semelhante ao de humanos

Segundo a assessoria de empresa, também foram realizadas ações como o aprimoramento do processo de abertura de contas, auditorias em contas já existentes e a expansão de detecção de “comportamento mal-intencionado”. O número de contas contestadas mensalmente subiu de 2,5 milhões em setembro de 2017 para 10 milhões em maio de 2018.

“A média de denúncias de spam recebidas por meio de nosso mecanismo de denúncias continuou a diminuir – de uma média de aproximadamente 25 mil por dia em março para cerca de 17 mil por dia em maio”, disse a vice-presidente de Segurança e Confiança, Del Harvey, em comunicado publicado no dia 26 de junho.

Mas as medidas adotadas pelas redes sociais estão longe de ser consenso. O uso de selos de checagem e a diminuição do alcance ou remoção são duas das ações contestadas. Na avaliação da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação (Frentecom), rede que congrega 194 parlamentares de vários partidos, essas medidas esbarram na dificuldade de definir o que é verdade e o que não é (e nas variações entre esses dois extremos) e nos possíveis vieses dos próprios checadores – além de poder induzir a uma leitura de que qualquer conteúdo alvo de checagem é mentiroso.

“Iniciativas das plataformas que absolutizam a referência destes checadores e da mídia tradicional são, portanto, preocupantes”, diz documento da frente sobre o tema, divulgado mês passado. “A atuação das plataformas – no sentido de priorizar ou despriorizar/remover informações e conteúdos nas redes – pode reproduzir, num ambiente de monopólio na internet, a concentração que já vivenciamos nos meios tradicionais, com sérios impactos à diversidade e pluralidade”, acrescenta a rede. O documento foi uma das bases do relatório do Conselho de Comunicação Social sobre o assunto.

Na opinião do diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Cristiano Flores, as plataformas deveriam ter mecanismos existentes na mídia tradicional, como a possibilidade de processo por dano moral ou a solicitação de direito de resposta. “As medidas adotadas pelas plataformas são importantes, mas precisa mais. Você tem modelo de responsabilidade dos veículos tradicionais de reparação e direitos de resposta. É importante que estes mecanismos avancem na previsibilidade no ambiente online”, defende.

O pesquisador de direito digital e diretor do Instituto Beta: Internet e Democracia, Paulo Rená, questiona o uso de sistemas automatizados (como algoritmos) para monitorar conteúdos, recurso adotado por todas as plataformas. “ A tecnologia não vai ser suficiente para nos salvar de nós mesmos. Para saber o que é informação e o que é desinformação, nós precisamos do contexto. Não será um robô, não será uma máquina ou mesmo um jeito de fazer, uma ‘receita de bolo’, que vai saber o que é inverdade”, pondera.

A entidade SaferNet, que participa do conselho consultivo criado pelo TSE para avaliar o impacto das fake news nas eleições, lançou documento em que apresenta uma série de iniciativas que poderiam ser adotadas pelas plataformas. Para além das medidas de transparência já anunciadas pelo Facebook, a ONG cobra que sejam tornados públicos dados dos anunciantes, os valores pagos e o público-alvo definido por eles (para quem a mensagem foi endereçada). A organização defende também a proibição do pagamento de anúncios em moeda estrangeira, para evitar influência externa, e uma isonomia nos preços dos anúncios aos candidatos, evitando privilégios.

Para Francisco Brito Cruz, pesquisador em direito e tecnologia da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da organização de pesquisa Internetlab, o alcance das plataformas faz com que as medidas implementadas possam ter grande impacto. Contudo, elas não devem ser pensadas unilateralmente pelas empresas. “ Esse processo deve ser feito com muita discussão com o público, em especial com a sociedade civil organizada e a academia, para que ele não passe por cima de direitos das pessoas”, defende.

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SP ganha hotel de Bill Gates e príncipe com diária de até R$ 19 mil

A estadia parte de US$ 343 em um quarto de 38 m² e chega a US$ 5.000 na suíte presidencial (de R$ 1.300 a R$ 18,9 mil)

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A rede de hotéis de luxo canadense Four Seasons, que tem como sócios Bill Gates e o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, inaugura nesta segunda-feira (15) sua primeira unidade no Brasil.

Localizado na Chácara Santo Antônio, na avenida das Nações Unidas, o hotel tem 29 andares, com 258 quartos. Mundo afora, a rede tem 111 unidades, incluindo em Buenos Aires e Bogotá.

A estadia parte de US$ 343 em um quarto de 38 m² e chega a US$ 5.000 na suíte presidencial (de R$ 1.300 a R$ 18,9 mil).

A maioria dos quartos tem janelas amplas com vista para a marginal Pinheiros. Fechadas, e com sistema antirruido, transformam o forte barulho dos carros em um zumbido quase imperceptível.

Os quartos também têm camas produzidas especialmente para a rede e que ficaram célebres nos anos 1990 quando, em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, a atriz Julia Roberts disse que eram as únicas melhores que a sua.

A unidade paulistana tem a maioria dos itens do mobiliário produzidos no Brasil, incluindo obras de arte, bancos e as poltronas de seu lobby.

No espaço também se destacam uma escada em caracol e, no centro dela, o bar Caju, que servirá drinques do bartender Paulo Ravelli, com nove anos de experiência no Japão.

No térreo também fica o restaurante Netto, comandado por Paolo Lavezzini, que veio do Fasano do Rio de Janeiro e vai unir receitas italianas com ingredientes do Brasil.

Os espaços gastronômicos poderão ser usados por quem não é hóspede. As massas saem por preço médio de R$ 75 e, durante a semana, haverá menu executivo com couvert, entrada e prato principal por R$ 80.

No primeiro andar, há um SPA no qual uma massagem de meia hora para cabeça, costas ou pés custa a partir de R$ 250. Há opção de dia inteiro, com acesso à sauna e à piscina, por R$ 1.050.

Outra promessa do hotel são passeios especiais para os hóspedes. Deverá haver visita de helicóptero a fazendas de Minas Gerais para conhecer a produção de café.

“É importante mostrar ao hóspede que sei o que ele está procurando, se vem a negócios ou a lazer, se já esteve em algum hotel nosso”, diz o gerente-geral da unidade, Michael Schmid.

Segundo Schmid, a criação de uma unidade no Brasil estava nos planos do fundador da empresa, Isadore Sharp, havia mais de 15 anos.

Em 2012, foi fechado acordo com o Grupo Cornélio Brennand, com sede no Recife e atuação em ramos como energia, setor imobiliário e indústria, para trazer a rede ao país.

A Four Seasons não investe no terreno e na obra. Ela fornece expertise e modelo de gestão para parceiros que ficam responsáveis pelo empreendimento. A empresa não informa o valor gasto no hotel.

Segundo Schmid, as exigências de consumidores do segmento de luxo mudaram na última década e a qualidade do serviço se tornou o principal fator para atrair hóspedes.

“Agora é muito mais importante a interação entre funcionário e hóspede, a experiência que ele vive. É mais do que o tangível.”

O empreendimento também tem 84 apartamentos residenciais, vendidos por a partir de R$ 20 mil o metro quadrado. As unidades vão de 98 m² a 212 m².

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Aplicativo permite colocar mulheres nas notas de dólar

Notable Women (mulheres notáveis) pode ser baixado de graça tanto por quem usa celulares com o sistema Android quanto por quem usa IOS, inclusive no Brasil

ubiie Redação

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Um aplicativo disponível para celulares permite substituir o rosto de homens nas notas de dólar pelo de cem mulheres que tiveram importância história nos Estados Unidos. O Notable Women (mulheres notáveis) pode ser baixado de graça tanto por quem usa celulares com o sistema Android quanto por quem usa IOS, inclusive no Brasil.

Para funcionar, basta abrir o aplicativo apontar para uma nota de dólar que o programa irá substituir o rosto do homem por uma das mulheres de seu arquivo – a escolha acontece de modo aleatório, mas é possível também definir uma específica para aparecer. Ele permite também que se tire uma foto da imagem para compartilhar.

As cem mulheres escolhidas incluem nomes como a primeira-dama Eleanor Rossevelt, a escritora Gertrude Stein, a ativista dos direitos civis Rosa Parks e Katharine Graham, publisher do jornal The Washington Post por mais de duas décadas.

Na lista há ainda artistas, políticas, empreendedoras, cientistas líderes religiosas, abolicionistas e sufragistas (grupo que lutou pelo direito das mulheres votarem).

Em comum, todas já estão mortas, já que a regra do Tesouro americano estabelece que apenas pessoas falecidas podem estar nas notas. Fora isso, há poucos critérios para estabelecer quem deve receber a honraria e a pasta diz apenas que os escolhidos devem ser pessoas que tenham uma importância histórica reconhecida pela população.

O aplicativo foi desenvolvido em parceira entre o Google e Rosie Gumataotao Riosa, que foi tesoureira dos Estados Unidos durante o governo de Barack Obama – cargo responsável por comandar a produção da moeda americana.

“Inspiração leva a aspiração e é por isso que temos a responsabilidade de destacar as mulheres que moldaram o nosso passado e servem de modelos para o futuro”, disse ela no site do aplicativo ao justificar a iniciativa.

Segundo Riosa, o principal foco do aplicativo são estudantes do país, mas nada impede que outras pessoas o utilizem. Após deixar o cargo, ela criou o projeto Teachers Righting History, que ensina em escolas do país a importância das mulheres na história americana.

Todas as notas em circulação no país (de 1, 2, 5, 10, 20, 50 e 100 dólares) têm um rosto de um homem. São cinco ex-presidentes e dois “founding fathers” (nome usado para identificar o grupo que liderou a independência americana).

Em 2015, quando estava no cargo, Riosa comandou uma campanha para incluir a imagem de uma mulher em uma das notas, substituindo um dos homens.

Mais de 600 mil pessoas participaram de uma enquete online que escolheu a ex-escrava e líder abolicionista Harriet Tubman com mais de 118 mil votos, cerca de 7.000 mais do que a segunda colocada, Eleanor Rossevelt.

A lista incluía as mesmas cem mulheres que estão disponíveis no aplicativo. A ideia é que o rosto de Tubman fosse estampado nas notas de US$ 20, que atualmente mostram o ex-presidente Andrew Jackson. Desde que assumiu, porém, Donald Trump não comentou se pretende manter a iniciativa.

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Rede pró-Bolsonaro engaja mais do que Madonna e Neymar

No último mês, 28 páginas na internet que apoiam e difundem ideias do candidato do PSL alcançaram 12,6 mi de interações no Facebook

ubiie Redação

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Um conjunto de endereços nas mídias sociais se tornou a principal e mais influente rede de apoio e difusão de ideias do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, na eleição deste ano. Ao menos 28 páginas e seis sites – que pertencem a um mesmo grupo chamado Raposo Fernandes Associados (RFA) – representam hoje o maior engajamento no entorno de Bolsonaro no Facebook. Este grupo atingiu um alcance tão grande nas redes sociais que supera, em nível de interação no Brasil, a soma dos índices de páginas oficiais de famosos como Madonna, Neymar e Anitta.

Uma investigação do jornal O Estado de S. Paulo em parceria com a organização internacional de campanhas e mobilização social Avaaz revela que, somente nos últimos 30 dias, os endereços alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook – ou seja, o total de reações a postagens, comentários e compartilhamentos. Mais de 16 milhões seguem essas páginas. Nos mesmos 30 dias, o jogador Neymar acumulou 1,1 milhão de interações, a cantora Anitta conseguiu 574,8 mil e Madonna, 442,5 mil. Segundo analistas, o sucesso do candidato do PSL nas urnas pode ser explicado, em parte, por essa força na internet, já que ele não teve apoio de partidos tradicionais ou tempo de TV.

No campo da esquerda e de apoio ao petista Fernando Haddad também há dezenas de páginas e sites de apoio, mas sem a mesma organização ou alcance. Das 100 páginas que mais citaram Haddad nos últimos 30 dias, 24 o apoiam e outras 47 o criticam. As outras são de políticos, a favor e contra sua candidatura. O site Brasil 247 foi o que mais engajou no período – 2 milhões de interações, seguido pela página O Brasil Feliz de Novo, com 903 mil interações. Não, há, no entanto, uma rede estruturada de grande alcance, como no caso da RFA. O petista começou a ganhar força no cenário eleitoral ao ser apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso e condenado na Operação Lava Jato.

O conjunto de páginas da RFA surgiu a partir de um ativismo digital que teve sua ascensão em meio aos protestos de junho de 2013 e da Lava Jato, em 2014, se consolidou no processo de impeachment de Dilma Rousseff e convergiu no apoio a Bolsonaro.

A empresa que administra o grupo é a Novo Brasil Empreendimentos Digitais Ltda, de propriedade do advogado Ernani Fernandes Barbosa Neto e de Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves. As páginas da rede são sempre identificadas com a sigla RFA na descrição.

Embora se declare como independente, a rede administra endereços como Apoio a Jair Bolsonaro e, durante a divulgação dos resultados do primeiro turno, comemorou nas páginas vitórias como a dos candidatos Eduardo Bolsonaro e Janaína Paschoal, ambos do PSL.

Sozinha, a RFA configura a maior parcela das páginas bolsonaristas na rede. Um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, dos pesquisadores Márcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, a que o Estadão teve acesso, identificou ao menos 114 páginas de apoio ao militar em toda a rede. A RFA corresponde à maior e mais influente parte desses redes, à frente até mesmo do Movimento Brasil Livre (MBL).

O maior puxador de interações da RFA é uma página chamada Movimento Contra Corrupção (MCC), de uma entidade criada por Ernani, Thais e outros membros em 2013, no auge dos protestos de rua. O MCC ganhou força nas manifestações de junho. O movimento atuava com mais força dos bastidores, com foco na mobilização virtual e críticas à imprensa.

Procurado, o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) não comentou a reportagem. A recém-eleita deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) disse ter conhecimento sobre páginas em seu nome, mas afirmou que não conhece a rede RFA nem tem domínio sobre as postagens que são feitas.

Ernani Fernandes Barbosa Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, proprietários da empresa que administra o grupo, foram procurados pela reportagem durante duas semanas, por e-mail, telefone e por intermédio de colegas, mas não quiseram se manifestar.

O deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP) e o deputado estadual eleito pelo Paraná Delegado Francischini (PSL) também não responderam à reportagem. O Estadão ainda tentou contato com o PRTB e com Levy Fidelix – o partido pagou cerca de R$ 30 mil de sua cota de Fundo Partidário no ano passado por serviços de uma das empresas do casal -, mas não obteve resposta nem de Fidelix nem de outro representante da sigla.

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