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Aplicativo ajuda agricultores a identificar pragas na lavoura

Aplicativo desenvolvido pela Embrapa permite que agricultores identifiquem insetos danosos e benéficos à lavoura, facilitando o controle biológico das espécies prejudiciais à plantação

ubiie Redação

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Thiago Kaiser, da chácara Pé na Terra, localizada em Planaltina, aprovou a novidade: "O único problema é que ainda não existe a versão para iPhone"

São quase duas décadas no campo, mas, de vez em quando, Gisleângelo Teles Ferreira, proprietário da chácara Nossa Senhora Aparecida, no Núcleo Rural Betinho, em Brazlândia, se depara com algum inseto desconhecido. Na dúvida se o bichinho pode prejudicar a lavoura, o agricultor trata de exterminar o inseto sem piedade. Só que muitos desses insetos não são vilões. Ao contrário. São inimigos naturais das pragas que atacam as lavouras e devem ser conservados no meio ambiente para manter a força da agricultura. O problema é que muitos produtores não conseguem reconhecer quais insetos são benéficos. A situação começa a mudar com o Guia InNat, um aplicativo que ajuda a identificar os insetos que destroem as lavouras.

O aplicativo é gratuito e está disponível para download na loja de aplicativos Google Play. Ele foi desenvolvido por especialistas da unidade de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Apenas uma semana após o lançamento do produto, na semana passada, foram feitos 2 mil downloads. “O aplicativo vai ser muito útil para quem vive no campo conhecer melhor os insetos”, enfatiza Ferreira, que garante o sustento da família cultivando brócolis, tomate, abóbora Itália (abobrinha), pimentão, vagem, maxixe e morango nos seis hectares da propriedade.

A ferramenta funciona de maneira simples. Por meio de um smartphone, o produtor tem acesso ao banco de dados, com uma galeria de fotos e pequenos textos mostrando as características dos insetos e de que se alimentam, além de informações sobre cada grupo de inimigos naturais e suas funções na natureza. Há dados de 13 famílias de insetos predadores, além de parasitoides e aranhas.

Com o aplicativo, o agricultor também pode, usando a câmera do aparelho, fotografar insetos encontrados na plantação e comparar com as imagens da galeria. “Os agricultores não se dão conta de que boa parte dos insetos presentes na lavoura não causam danos. Na verdade, eles auxiliam no combate às pragas”, frisa Alessandra de Carvalho Silva, engenheira agrônoma da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), especialista em controle biológico de pragas.

Equilíbrio

“O aplicativo é muito interessante, mostra bem os insetos e traz informações importantes sobre cada um deles. O único problema é que ainda não existe a versão para iPhone”, diz Thiago Kaiser, da chácara Pé na Terra, localizada no Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina. Na propriedade, são cultivados cerca de 15 produtos, entre hortaliças e frutas, comercializados diretamente para 30 famílias que fazem parte da Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA). Por meio desse sistema, a comunidade apoia os produtores locais, compartilhando custos e prejuízos.


Na agricultura, o reconhecimento dos insetos é fundamental. Insetos que se alimentam de plantas, os fitófagos, somente são considerados pragas quando causam danos econômicos. O produtor tem que estar apto a distinguir aqueles que são benéficos à lavoura, mantendo o equilíbrio do ecossistema. O inseto conhecido por tesourinha, por exemplo, costuma assustar até agricultores mais experientes, por ter aparência semelhante à de um pequeno escorpião.

A existência do tesourinha na lavoura, no entanto, indica a presença de lagartas, que são pragas que se alimentam de folha e podem perfurar talos, flores e frutos, causando danos à plantação. O tesourinha é um agente de controle natural, sendo um predador de lagartas, moscas-brancas, ovos e pulgões. “As pinças que o inseto possui no final do abdômen lhe dão uma aparência agressiva. Ele pode ser morto se a pessoa não souber o quanto ele pode contribuir para a redução de lagartas nas lavouras, uma vez que se alimenta dos ovos das mariposas”, explica Alessandra, da Embrapa.

Os marimbondos são uma tristeza na cidade, principalmente para quem tem sensibilidade à picada, que costuma doer muito. No campo, esses insetos são uma benção. Afinal, alimentam-se de lagartas, gafanhotos, mosquitos, formigas e cupins, ou seja, pragas que são combatidas na lavoura. Os marimbondos são fundamentais no combate ao bicho mineiro (leucoptera coffeella), uma praga que ataca somente lavouras de café. O Brasil é o principal produtor mundial, sendo responsável por 34% do café comercializado no mundo.

O bicho mineiro se instala nas folhas dos cafeeiros, deixando um buraco e uma cor de ferrugem na superfície. Um ataque desse inseto causa uma considerável perda de folhas, que ficam desidratadas, secas e fracas, trazendo enormes prejuízos para os cafeicultores. Estudos comprovaram que a capacidade produtiva do cafeeiro pode ser reduzida em até 80%, conforme a região, a época e a intensidade da ação do inseto. “Essa é uma praga importante nos cafezais, contra a qual os marimbondos desempenham um papel fundamental no controle natural”, explica a pesquisadora da Embrapa.

Desafio

O controle biológico de pragas é considerado mais eficiente e econômico do que o controle químico, com defensivos agrícolas, que não têm ação seletiva e podem causar desequilíbrio ambiental, já que resíduos podem permanecer em plantas, solo, lagos e rios. O pesquisador José Roberto Parra, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), acredita que é grande o desafio para que o controle biológico seja adotado em larga escala no Brasil. “A cultura do agricultor brasileiro é voltada para os químicos. É difícil mudar a cabeça do produtor, mas é um aprendizado.”

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Cientistas encontram ‘continentes perdidos’ debaixo do gelo da Antártica (VÍDEO)

Cientistas descobriram vestígios de continentes perdidos sob a Antártica que estimulam a pesquisa sobre os mistérios desse mundo gelado.

ubiie Redação

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Dados compilados por um satélite revelaram processos que aconteceram sob o gelo da Antártica há muito tempo.

O satélite GOCE da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que reentrou na atmosfera terrestre em 2013 devido à falta de combustível, produziu resultados interessantes para a comunidade científica.
Ao orbitar o nosso planeta de 2009 a 2013, o GOCE mediu seu campo gravitacional em 3D, o que ajudou pesquisadores da Universidade de Kiel (Alemanha) e do Observatório Britânico da Antártica (BAS, na sigla em inglês) a compilar um mapa da gravidade global de alta fidelidade.

“Essas imagens gravitacionais estão revolucionando nossa capacidade de estudar o continente menos compreendido na Terra, a Antártica”, disse o coautor Fausto Ferraccioli em um comunicado no site da ESA.

A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, também fornece informações sobre o movimento das placas tectônicas na região da Antártica e como o continente foi formado. Em um vídeo de animação de 24 segundos, que retrata os últimos 200 milhões de anos, os cientistas mostraram como os antigos continentes, que antes constituíam o supercontinente Gondwana, estavam conectados no passado e como eles se separaram devido aos movimentos tectônicos.

Segundo os pesquisadores, além do evidente valor histórico, essas descobertas podem nos ajudar a aprender como a estrutura continental da Antártica “está influenciando o comportamento dos lençóis de gelo e a rapidez com que as regiões da Antártica se recuperarão em resposta ao derretimento do gelo”.

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‘Kit Dodói’ ajuda criança com câncer a entender e enfrentar a doença

O recurso lúdico, didático e de entretenimento utiliza personagens criados pelo desenhista Mauricio de Sousa

ubiie Redação

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Eles têm de 5 a 10 anos, mas já ficam concentrados enquanto preparam uma injeção ou fazem um curativo em seus bonecos. Sabem o que é auscultar o coração, acesso intravenoso e punção. Walace, 6, Fabrício, 5, e Anderson, 10, enfrentam tipos severos de câncer no sangue no hospital estadual Darcy Vargas, na zona oeste de São Paulo, mas têm à disposição um poderoso “kit dodói”, que os ajuda a entender seus caminhos futuros, suas dores e seus medos de hospital.

O recurso lúdico, didático e de entretenimento, que se utiliza de personagens criados pelo desenhista Mauricio de Sousa, 83, já está disponível em 40 unidades oncológicas infantis do país e já foi distribuído a 5.000 crianças pela Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), que agora se prepara para expandir o projeto para mais 3.000 pequenos com câncer.

Uma das principais finalidades do kit -que conta com mochila, boneco estilizado da Mônica ou do Cebolinha, vários brinquedos que simulam materiais médicos, jogos, cartilhas e até um “medidor do nível de dor”- é preparar a criança a respeito das fases do tratamento que irá fazer e passar a ela confiança de que irá vencer, sem uso de disfarces de que será “só uma picadinha rápida”.

Para a enfermeira oncológica Sandra Dias, 45, há 13 anos trabalhando com crianças no Darcy Vargas, os recursos disponíveis no kit auxiliam a diminuir o estresse dos procedimentos médicos e melhoram a comunicação da criança com as equipes.

“Eles têm à disposição no kit os cartões de sensações e a escala de dor, em que podem mostrar como estão em determinado dia. Isso nos ajuda a conduzir os procedimentos e até mudar a programação prevista. Antes de cada procedimento, fazemos antes no boneco, explicamos o que irá acontecer, o que leva conforto a eles, dá mais segurança”, afirma Sandra.

A entrega do kit, que é gratuito, acontece geralmente nos primeiros dias de internação da criança. A única contrapartida pedida aos pais é uma avaliação posterior do material, que vai balizar novas ações da associação.

“Um dos retornos que sempre temos é que o kit abre portas de comunicação. Como a criança irá se ausentar por longos períodos da escola, dos amigos e de familiares, ela usa os jogos, as cartilhas e até os brinquedos para explicar que vão precisar de cuidados específicos, que ficará longe por um tempo”, conta Merula Steagall, 52, presidente da Abrale e empreendedora social.

Para que a criança tire o melhor proveito dos kits, a associação já capacitou 198 profissionais entre enfermeiros, psicólogos e voluntários nos hospitais. Para 2019, a Abrale estuda distribuir como teste alguns kits para que pais com câncer consigam explicar melhor a situação que vivem para seus filhos pequenos.

Silvania de Jesus Marques de Souza, 40, é mãe de Fabrício, que faz tratamento de manutenção contra um tipo violento de leucemia, a LLA. Ele já está bem, passou pela fase mais tensa do tratamento, mas não larga seu material de apoio, o Dodói.

“O boneco para ele é como se fosse um companheiro de batalha. Ficou junto dele em dez internações. Tudo o que Fabrício faz no hospital, ele repete com boneco”, diz a mãe.Segundo a presidente da Abrale, a repetição dos procedimentos médicos nos bonecos “empodera” as crianças e seus pais.

“O médico não resolve tudo. A palavra do paciente e suas atitudes são muito importantes. Quando a criança entra em contato com nossos materiais, ela fica mais participativa no tratamento, faz perguntas, pede por opções, faz escolhas mais conscientes”, declara Merula.

Para Amauri Sousa, diretor do Instituto Mauricio de Sousa, que produz os kits sem custos de direitos autorais e royalties, “Mauricio de Sousa, presidente do instituto, acredita na importância da humanização do tratamento das crianças com câncer como maneira de tornar esse momento menos difícil para as famílias”.

Sem novos estoques, a Abrale abriu uma campanha pública com a finalidade de arrecadar R$ 100 mil para a confecção de novos kits dodói. No site www.dodoi.abrale.org.br é possível saber como ajudar e mais informações a respeito da iniciativa.

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Google Mars: é criado mapa virtual para explorar Planeta Vermelho

Com ajuda dos dados de satélites da NASA, o Google lançou o site Google Mars que permite aos internautas explorar detalhadamente a superfície de Marte, com seus vulcões, montanhas e crateras.

ubiie Redação

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Os dados compilados por pesquisadores da Universidade Estatal do Arizona (EUA) permitiram criar um dos mapas mais precisos do planeta elaborados até agora.

De caráter interativo, a novidade é usada de forma similar ao Google Maps e permite aos usuários mover, ampliar e selecionar diferentes lugares, bem como explorar diferentes regiões do Planeta Vermelho.

Além disso, os internautas podem descobrir como vulcões, montanhas, crateras e dunas marcianas receberam seus nomes (por exemplo, cratera Lomonosov recebeu seu nome em honra do cientista russo Mikhail Lomonosov).

Marte pode ser observado em três versões: em um mapa topográfico, em um mapa de espectro de luz visível para ver mais detalhes da superfície e em um mapa infravermelho que retrata quão frio ou quente é a superfície do planeta, dando a chance de ver até mesmo nuvens marcianas e poeira atmosférica.

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